15/12/11

O meu postal de Natal


Caríssima(o)s amiga(o)s,


Nesta altura, além dos afazeres da quadra, ainda preciso entrelaçar as tarefas estudantis com as profissionais, fico com as mãos cheias e pouco disponíveis para teclar novos textos, por isso, decidi aproveitar a generosidade do Eduardo Leal e vou partilhar aqui um texto que ele preparou para esta quadra que usarei em jeito de postal de Natal.


A todos, do meu coração, votos de um Natal cheio de sentido!!


Nem aqui, nem agora. Vã promessa

Doutro calor e nova descoberta

Se desfaz sob a hora que anoitece.

Brilham lumes no céu? Sempre brilharam.

Dessa velha ilusão desenganemos:

É dia de Natal. Nada acontece

José Saramago, Os Poemas possíveis

A luz, aquela imensa luz que nos ofusca e extasia… as cores dos néones que piscam e nos atraem como se tivessem o cheiro da felicidade, extingue-se agora de forma súbita e cruel.

E o mundo, que parecia um carrossel mágico e colorido, o final eterno e repetido dos contos de fadas dos nossos sonhos de criança – felizes para sempre – passado que é, agora, o momento doloroso dos nossos olhos, quase cegos, em explosões de branco imaculado, revoltados, a habituarem-se à escuridão… perdeu a cor.

Os contornos das coisas vão-se diluindo e o que antes parecia tão claro, tão evidente, tão fácil de ver, é, neste momento, somente a sombra do que era.

Os pessimistas caem na depressão final, os realistas angustiam-se e os otimistas, confundidos pela evidência da catástrofe, tardam em abrir os olhos, na recusa infantil da mais pura negação da realidade.

E é agora, sobretudo agora, que importa descobrir o Espírito do Natal.

Não aquele espírito de quem tem tudo e ainda assim deseja o mundo inteiro. O frenesim do “ao menos uma vez no ano”, oferecendo brinquedos a granel e inutilidades absolutas de proveniência duvidosa e triste, apenas porque é da fé das gentes acreditar que a felicidade se compra e se mantém nos objetos.

Como poderíamos encontrar o Espírito de Natal, assim encandeados e tontos?

Como poderíamos distinguir o essencial do acessório neste empanturramento generalizado?

É certo que, mesmo nesta sociedade de consumo tão próxima da perfeição e agora tão periclitante, sempre sobraram os excluídos para recordar ao mundo a linha fina que nos separa do abismo. Para nos lembrar, antes do fim da vida, que nada é absolutamente seguro.

Sempre houve sem-abrigo. Gente fora do sistema pelas mais variadas razões. Archotes para a memória coletiva que, por causa do brilho das luzes, apenas chamuscavam as nossas consciências. Provavelmente um pouco mais expostas naquela noite do ano, nesse Natal em que nada acontecia.

Mas hoje, que as luzes se apagam e as estrelas nos recordam que sempre estiveram lá, no firmamento, a mais pequena chama pode fazer a diferença. Essa pequena chama que cada um pode acender dentro de si.

Essa luz tão ténue, tão débil, mas que é a única que pode trazer conforto em certas noites de escuridão.

Porque, ao contrário das fogueiras do desespero coletivo, esta chama não consome, antes alimenta a consciência de cada um que a acolhe.

E é por isso que é em tempos como os de hoje que mais importa redescobrir o Espírito de Natal.

Precisamos de repensar rituais e reencontrar os sentidos.

E porque é importante oferecer aos outros o que os outros realmente precisam, é urgente reafirmar a nossa Humanidade.

O Espírito de Natal pode estar presente nos mais pequenos gestos. Num sorriso, num abraço, numa mão que se agarra, num convite para a nossa mesa… na partilha.

O Espírito de Natal não está à venda. Não se encontra nos mercados, não se transaciona nas bolsas e o único juro que rende é o Amor.

Não pode estar à venda… sobretudo agora… que tudo acontece.

Eduardo Leal

http://anossapena.blogspot.com/

12/11/11

Curso de Iniciação à Astrologia















Para quem me tem perguntado sobre quando e como pode começar a aprender a falar Astrologuês:

Breve, breve, darei mais detalhes, entretanto, quem estiver interessado pode enviar-me um email e assim receberá em 1ª mão as novidades.

Até já!


24/09/11

Associação Portuguesa Hipnose e Terapias Regressivas















Apresentação da Associação Portuguesa Hipnose e Terapias Regressivas



Foi hoje, com enorme prazer e orgulho , que foi apresentada ao público no auditório da Junta de Freguesia de Campanhã, a APHTR.

Aqui fica o link para o site para uma visita mais detalhada : http://www.aphtr.com.pt

Ainda assim, não queria deixar de publicar aqui a razão da nossa existência:

Missão

Elevar a hipnose a um estatuto de técnica terapêutica reconhecida por parceiros e instituições na área da saúde, bem como ser o garante na regulamentação de profissionais acreditados nesta área.

Visão

Tornar-se uma referência em termos técnicos e deontológicos, no sector de actividade psicoterapêutico, através de um esforço contínuo de melhoria das competências dos seus recursos humanos.



Seja terapeuta ou só interessado na matéria, visite o site e fique a saber as vantagens ( e descontos) em ser nosso associado.


Esperamos por si!!


Até já...

06/09/11

Prenda de final de férias











Olá a toda(o)s,

No passado domingo, estava eu a fazer umas compras num supermercado perto de casa, quando fui abordada por uma simpática senhora de nome Alzira, que me ofereceu um momento particularmente gratificante e que resultou da minha participação no programa La Vie en Rose.

Daí ter-me lembrado de retomar este tema e aproveitar para responder à questão do meu retorno ou não ao Porto Canal.

Dizia-me esta telespectadora que, até me ter ouvido, sempre tinha considerado a Astrologia pouco credível e algo de muito estranho, ao qual não dava a menor atenção.
Agora tem uma opinião completamente diferente e revelou interesse em saber mais desta, para ela, surpreendente linguagem.

Se esta declaração descrever a minha contribuição com a minha participação televisiva,não peço mais...

No momento em que vos escrevo, não vos sei dizer se vou voltar a falar convosco através da ondas televisivas, mas posso-vos dizer que, aconteça o que acontecer, valeu a pena!!



01/09/11

Neptuno, o Senhor dos Mares




Olá a Todo(a)s,


Para encerrar o ciclo das histórias dos regentes zodiacais que começou com Marte, aqui fica o link


Espero que desfrutem de um bom mergulho!

O que se seguirá? pois...ainda não sei!

Até Já!

27/07/11

Previsões Astrológicas e Psicológicas para 2012




Caríssimos leitores,

É com grande honra e alegria que partilho aqui este trabalho , antecipando o ano de 2012, cdos maravilhosos António Rosa e Susana Vitorino, com ilustrações belíssimas da Inês de Barros Baptista.

A leitura aconselha-se em doses moderadas e com devido tempo para degustar e digerir, e podem aceder por aqui:



ou ,




ou ainda em,


E já agora, aproveitam para conhecer cada um destes blogs, estou certa que vão gostar!

Até já e aproveitem bem o Verão :)




06/07/11

Associação Portuguesa Hipnose e Terapias Regressivas














Olá a todos,


Finalmente!!!

Isto tem demorado mais do que gostaríamos, mas eis que já está online o site da Associação Portuguesa de Hipnose e Terapias Regressivas!!

Ainda terá mais novidades, quer para o público interessado, quer para os Hipnoterapeutas, enfim para todos que se interessam por este fascinante tema.

Espero que nos visitem em http://www.aphtr.com.pt e que desfrutem da viagem :)

Até já...

27/06/11

Para quem está à minha espera...



Na sequência da minha participação no La Vie en Rose, a minha caixa de correio electrónico está semanal e constantemente a encher-se de correspondência, a que lamentavelmente e por um período que espero seja o mais breve possível, não consigo dar a devido seguimento.
Porque acredito que é comum a quase todos nós, esta dificuldade em conseguir enfiar num dia só, tarefas que antigamente dariam para uma semana. E porque conheço poucas pessoas que não refiram como é hoje difícil cumprir tudo o que anotamos , cheios de confiança, nas nossas agendas. Estou certa que me vão compreender quando, a todos que aguardam resposta minha, vos apresento as minhas desculpas pelo atraso na resposta.
Fica prometido, que mal este alvoroço abrande, a todos darei a merecida atenção e responderei no melhor das minhas capacidades.



Até já


19/06/11

orgulhosamente partilhando ...

Amiga(o)s,

Ainda não é hoje que aqui venho para completar o ciclo das crónicas mitológicas contando-vos umas coisas sobre Neptuno.
Por muito que a possibilidade de viajar pelo reino dos oceanos me seja apelativa, por estes dias, outros reinos ,bem mais terrenos e pragmáticos exigem a minha presença e concentração.

Não podia era deixar de vir aqui contar-vos uma novidade!!
Uma daquelas que me deixou super feliz e confesso que orgulhosa!

Desde que comecei o meu percurso astrológico e mal descobri a Escola de Astrologia Nova Lis em: http://www.nova-lis.com/, passei a ser uma fã incondicional quer do site, quer do trabalho do António Rosa.
Mal podia eu imaginar que, um dia, iria ver o meu nome lá...e como se não bastasse, quando em Maio do ano passado ouvi o António na cerimónia de abertura do Congresso Ibérico de Astrologia. como ia eu, algum dia, supor que os meus textos iriam constar do http://cova-do-urso.blogspot.com/.

Ás vezes, a Vida revela-se bem melhor do que imaginámos, e acontecem coisas assim!!

Obrigada!!!!!!!







17/05/11

Mitologia Ligth


Olá a todos,

Não, não estou propriamente em dieta...mas para me conseguir entalar entre duas actividades , Astrologia e Hipnoterapia e ainda arranjar tempo para frequentar as aulas de Psicologia, só mesmo com muita Mitologia Light :)

Espero que gostem deste pedacinho...não pesa e até pode ajudar na boa disposição.

Passem lá no Sapo Mulher e leiam :



Até já!

22/04/11

Feliz Páscoa!


Olá ,


Nesta época em que celebramos a vitória da Vida sobre a Morte, deixo-vos com uma das minhas músicas preferidas , e com uma bela mensagem de esperança e confiança.

Espero que gostem!



Desejo-vos uma Páscoa Feliz!!

Até breve

22/03/11

A PEQUENA ALMA E O SOL – NEALE DONALD WALSCH



Estava eu à procura deste mágico texto para uma paciente a quem referido e lembrei-me...porque não partilhá-lo com mais gente??

e pronto, aqui está ele para quem não o conhece e também para quem já o leu, mas tal como a pequena Alma , de vez em quando, precisa de se lembrar ;)


até já e um abraço Primaveril!!



Era uma vez, em tempo nenhum, uma Pequena Alma que disse a Deus:

- Eu sei quem sou!

E Deus disse:

- Que bom! Quem és tu?

E a Pequena Alma gritou:

- Eu sou Luz

E Deus sorriu. – É isso mesmo! – exclamou Deus. – Tu és Luz!

A Pequena Alma ficou muito contente, porque tinha descoberto aquilo que todas as almas do Reino deveriam descobrir.

– Uauu, isto é mesmo bom! – disse a Pequena Alma.

Mas, passado pouco tempo, saber quem era já não lhe chegava. A pequena Alma sentia-se agitada por dentro, e agora queria ser quem era. Então foi ter com Deus ( o que não é má idéia para qualquer alma que queira ser Quem Realmente É ) e disse:

- Olá Deus! Agora que sei Quem Sou, posso sê-lo?

E Deus disse:

- Quer dizer que queres ser Quem já És?

- Bem, uma coisa é saber Quem Sou, e outra coisa é sê-lo mesmo. Quero sentir como é ser a Luz! – respondeu a pequena Alma.

- Mas tu já és Luz – repetiu Deus, sorrindo outra vez.

- Sim, mas quero senti-lo! – gritou a Pequena Alma.

- Bem, acho que já era de esperar. Tu sempre foste aventureira – disse Deus com uma risada. Depois a sua expressão mudou. – Há só uma coisa…

- O quê? – perguntou a Pequena Alma.

- Bem, não há nada para além da Luz. Porque eu não criei nada para além daquilo que tu és; por isso, não vai ser fácil experimentares-te como Quem És, porque não há nada que tu não sejas.

- Hã? – disse a Pequena Alma, que já estava um pouco confusa.

- Pensa assim: tu és como uma vela ao Sol. Estás lá sem dúvida. Tu e mais milhões, ziliões de outras velas que constituem o Sol. E o Sol não seria o Sol sem vocês. ‘Não seria um sol sem uma das suas velas… e isso não seria de todo o Sol, pois não brilharia tanto. E no entanto, como podes conhecer-te como a Luz quando estás no meio da Luz – eis a questão’.

- Bem, tu és Deus. Pensa em alguma coisa! – disse a Pequena Alma mais animada. Deus sorriu novamente.

- Já pensei. Já que não podes ver-te como a Luz quando estás na Luz, vamos rodear-te de escuridão – disse Deus.

- O que é a escuridão? perguntou a Pequena Alma.

- É aquilo que tu não és – replicou Deus.

- Eu vou ter medo do escuro? – choramingou a Pequena Alma.

- Só se o escolheres. Na verdade não há nada de que devas ter medo, a não ser que assim o decidas. Porque estamos a inventar tudo. Estamos a fingir.

- Ah! – disse a Pequena Alma, sentindo-se logo melhor.

Depois Deus explicou que, para se experimentar o que quer que seja, tem de aparecer exactamente o oposto.

- É uma grande dádiva, porque sem ela não poderíamos saber como nada é – disse Deus – Não poderíamos conhecer o Quente sem o Frio, o Alto sem o Baixo, o Rápido sem o Lento. Não poderíamos conhecer a Esquerda sem a Direita, o Aqui sem o Ali, o Agora sem o Depois. E por isso, – continuou Deus – quando estiveres rodeada de escuridão, não levantes o punho nem a voz para amaldiçoar a escuridão. ‘Sê antes uma Luz na escuridão, e não fiques furiosa com ela. Então saberás Quem Realmente És, e os outros também o saberão. Deixa que a tua Luz brilhe tanto que todos saibam como és especial!’

- Então posso deixar que os outros vejam que sou especial? – perguntou a Pequena Alma.

- Claro! – Deus riu-se. – Claro que podes! Mas lembra-te de que ‘especial’ não quer dizer ‘melhor’! Todos são especiais, cada qual à sua maneira! Só que muitos esqueceram-se disso. Esses apenas vão ver que podem ser especiais quando tu vires que podes ser especial!

- Uau – disse a Pequena Alma, dançando e saltando e rindo e pulando. – Posso ser tão especial quanto quiser!

- Sim, e podes começar agora mesmo – disse Deus, também dançando e saltando e rindo e pulando juntamente com a Alma

- Que parte de especial é que queres ser? – Que parte de especial? – repetiu a Pequena Alma. – Não estou a perceber.

- Bem, – explicou Deus – ser a Luz é ser especial, e ser especial tem muitas partes. É especial ser bondoso. É especial ser delicado. É especial ser criativo. É especial ser paciente. Conheces alguma outra maneira de ser especial?

A Pequena Alma ficou em silêncio por um momento. – Conheço imensas maneiras de ser especial! – exclamou a Pequena Alma – É especial ser prestável. É especial ser generoso. É especial ser simpático. É especial ser atencioso com os outros.

- Sim! – concordou Deus – E tu podes ser todas essas coisas, ou qualquer parte de especial que queiras ser, em qualquer momento. É isso que significa ser a Luz.

- Eu sei o que quero ser, eu sei o que quero ser! – proclamou a Pequena Alma com grande entusiasmo. – Quero ser a parte de especial chamada ‘perdão’. Não é ser especial alguém que perdoa?

- Ah, sim, isso é muito especial, assegurou Deus à Pequena Alma.

- Está bem. É isso que eu quero ser. Quero ser alguém que perdoa. Quero experimentar-me assim – disse a Pequena Alma.

- Bom, mas há uma coisa que devias saber – disse Deus.

A Pequena Alma já começava a ficar um bocadinho impaciente. Parecia haver sempre alguma complicação.

- O que é? – suspirou a Pequena Alma.

- Não há ninguém a quem perdoar.

- Ninguém? A Pequena Alma nem queria acreditar no que tinha ouvido.

- Ninguém! – repetiu Deus. Tudo o que Eu fiz é perfeito. Não há uma única alma em toda a Criação menos perfeita do que tu. Olha à tua volta. Foi então que a Pequena Alma reparou na multidão que se tinha aproximado. Outras almas tinham vindo de todos os lados – de todo o Reino – porque tinham ouvido dizer que a Pequena Alma estava a ter uma conversa extraordinária com Deus, e todas queriam ouvir o que eles estavam a dizer. Olhando para todas as outras almas ali reunidas, a Pequena Alma teve de concordar. Nenhuma parecia menos maravilhosa, ou menos perfeita do que ela. Eram de tal forma maravilhosas, e a Luz de cada uma brilhava tanto, que a Pequena Alma mal podia olhar para elas.

- Então, perdoar quem? – perguntou Deus.

- Bem, isto não vai ter piada nenhuma! – resmungou a Pequena Alma – Eu queria experimentar-me como Aquela que Perdoa. Queria saber como é ser essa parte de especial.

E a Pequena Alma aprendeu o que é sentir-se triste. Mas, nesse instante, uma Alma Amiga destacou-se da multidão e disse:

- Não te preocupes, Pequena Alma, eu vou ajudar-te – disse a Alma Amiga.

- Vais? – a Pequena Alma animou-se. – Mas o que é que tu podes fazer?

- Ora, posso dar-te alguém a quem perdoares!

- Podes?

- Claro! – disse a Alma Amiga alegremente. – Posso entrar na tua próxima vida física e fazer qualquer coisa para tu perdoares.

- Mas porquê? Porque é que farias isso? – perguntou a Pequena Alma. – Tu, que és um ser tão absolutamente perfeito! Tu, que vibras a uma velocidade tão rápida a ponto de criar uma Luz de tal forma brilhante que mal posso olhar para ti! O que é que te levaria a abrandar a tua vibração para uma velocidade tal que tornasse a tua Luz brilhante numa luz escura e baça? O que é que te levaria a ti, que danças sobre as estrelas e te moves pelo Reino à velocidade do pensamento, a entrar na minha vida e a tornares-te tão pesada a ponto de fazeres algo de mal?

- É simples – disse a Alma Amiga. – Faço-o porque te amo.

A Pequena Alma pareceu surpreendida com a resposta.

- Não fiques tão espantada – disse a Alma Amiga – tu fizeste o mesmo por mim. Não te lembras? Ah, nós já dançamos juntas, tu e eu, muitas vezes. Dançamos ao longo das eternidades e através de todas as épocas. Brincamos juntas através de todo o tempo e em muitos sítios. Só que tu não te lembras. Já fomos ambas o Todo. Fomos o Alto e o Baixo, a Esquerda e a Direita. Fomos o Aqui e o Ali, o Agora e o Depois. Fomos o Masculino e o Feminino, o Bom e o Mau – fomos ambas a vítima e o vilão. Encontra-nos muitas vezes, tu e eu; cada uma trazendo à outra a oportunidade exata e perfeita para Expressar e Experimentar Quem Realmente Somos. – E assim, – a Alma Amiga explicou mais um bocadinho – eu vou entrar na tua próxima vida física e ser a ‘má’ desta vez. Vou fazer alguma coisa terrível, e então tu podes experimentar-te como Aquela Que Perdoa.

- Mas o que é que vais fazer que seja assim tão terrível? – perguntou a Pequena Alma, um pouco nervosa.

- Oh, havemos de pensar nalguma coisa – respondeu a Alma Amiga, piscando o olho.

Então a Alma Amiga pareceu ficar séria, disse numa voz mais calma:

- Mas tens razão acerca de uma coisa, sabes? – Sobre o quê? – perguntou a Pequena Alma.

- Eu vou ter de abrandar a minha vibração e tornar-me muito pesada para fazer esta coisa não muito boa. Vou ter de fingir ser uma coisa muito diferente de mim. E por isso, só te peço um favor em troca.

- Oh, qualquer coisa, o que tu quiseres! – exclamou a Pequena Alma, e começou a dançar e a cantar: – Eu vou poder perdoar, eu vou poder perdoar!

Então a Pequena Alma viu que a Alma Amiga estava muito quieta.

- O que é? – perguntou a Pequena Alma. – O que é que eu posso fazer por ti? És um anjo por estares disposta a fazer isto por mim!

- Claro que esta Alma Amiga é um anjo! – interrompeu Deus, – são todas! Lembra-te sempre: Não te enviei senão anjos.

E então a Pequena Alma quis mais do que nunca satisfazer o pedido da Alma Amiga.

- O que é que posso fazer por ti? – perguntou novamente a Pequena Alma.

- No momento em que eu te atacar e atingir, – respondeu a Alma Amiga – no momento em que eu te fizer a pior coisa que possas imaginar, nesse preciso momento…

- Sim? – interrompeu a Pequena Alma

- Sim? A Alma Amiga ficou ainda mais quieta. – Lembra-te de Quem Realmente Sou.

- Oh, não me hei de esquecer! – gritou a Pequena Alma – Prometo! Lembrar-me-ei sempre de ti tal como te vejo aqui e agora.

- Que bom, – disse a Alma Amiga – porque, sabes, eu vou estar a fingir tanto, que eu própria me vou esquecer. E se tu não te lembrares de mim tal como eu sou realmente, eu posso também não me lembrar durante muito tempo. E se eu me esquecer de Quem Sou, tu podes esquecer-te de Quem És, e ficaremos as duas perdidas. Então, vamos precisar que venha outra alma para nos lembrar às duas Quem Somos.

- Não vamos, não! – prometeu outra vez a Pequena Alma. – Eu vou lembrar-me de ti! E vou agradecer-te por esta dádiva – a oportunidade que me dás de me experimentar como Quem Eu Sou.

E assim o acordo foi feito. E a Pequena Alma avançou para uma nova vida, entusiasmada por ser a Luz, que era muito especial, e entusiasmada por ser aquela parte especial a que se chama Perdão. E a Pequena Alma esperou ansiosamente pela oportunidade de se experimentar como Perdão, e por agradecer a qualquer outra alma que o tornasse possível. E, em todos os momentos dessa nova vida, sempre que uma nova alma aparecia em cena, quer essa nova alma trouxesse alegria ou tristeza – principalmente se trouxesse tristeza – a Pequena Alma pensava no que Deus lhe tinha dito.

- Lembra-te sempre, – Deus aqui tinha sorrido – não te enviei senão anjos!.

15/03/11